domingo, 7 de dezembro de 2008

...NITERÓI...

Da janela eu conseguia ver o mar, o céu ainda azul, algumas montanhas e o Cristo Redentor, sempre imponente, com seus braços abertos sobre a Guanabara. Ao longe, a Pedra da Gávea, point de encontro dos águias, aventureiros do ar, os valentes atletas da asa-delta. Logo abaixo da minha janela, à apenas poucas quadras, eu podia ver o jogo do fogão no Caio Martins.
Dali do meu “apertamento”, pequenino mesmo, com dois quartos com vistas deslumbrantes, no alto do Edifício Ubatuba, no décimo sétimo andar eu conseguia sentir a brisa que vinha da praia de Icaraí que ficava distante algumas quadras. Às vezes o vento batia com vontade, fazia os sinos da minha mãe, tilintarem tão alto que mal conseguíamos ouvir nossos pensamentos.
De dentro do meu quarto, com aquela janela tão pequena eu olhava o morro na frente, diminuir suas matas e aumentar o número de casas. O som dos carros aumentava a cada dia, o barulho das máquinas que destruíam casa centenárias, sirenes, gritos, prédios cada vez mais altos, tudo o que podia acontecer para tirar de mim a bela vista e o sossego da minha querida Niterói aconteceu e ainda ocorre cada dia mais rápido.
Tudo velozmente. Ainda me resta a esperança. Já não moro mais em Niterói, tenho agora o céu azul de Carmo, suas belas montanhas, o sossego da Praça Getúlio Vargas, sua gente simpática, a tranqüilidade de uma cidade do interior, com toda sua graça e suas dificuldades. Nem tudo é perfeito, mas é primoroso para mim.
Ah minha velha Niterói. Agora sou carmense.
O Cristo que já não vejo da minha antiga janela, agora lá do céu abençoa terras tão bonitas e distantes. E rezo para que da minha janela ainda veja a poeira da estrada para Duas Barras, o cantar dos galos, o gorjeio dos pássaros e os gritos das maritacas, os latidos de todos os cachorros, os meus e os dos vizinhos, os sinos da Igreja Matriz.
Só não quero ver o progresso desordenado chegar até aqui e não quero mais ouvir soltarem fogos por bastante tempo. Adoro a paz e o silêncio.
Beijocas.

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