domingo, 7 de dezembro de 2008

Soleira

Ahhhhhhhhh o sol... A sensação do calor no corpo. Que delícia!
Pode parecer maluquice se isso for no Carmo, mas na praia, é outra coisa...
Tem uns malucos que não gostam nem de pensar na praia como um lazer totalmente, completamente, inteiramente, globalmente e integralmente, gratuito e prazeroso. É muito bom... É ótimo...
Praia... Ahhhhh como eu gosto de praia. Já deu para perceber que gosto muito mesmo. O grande desafio é levar meu amado, querido, estimado, prezado e primoroso marido até ela.
O cara, além de ser branquinho, alvo, cândido e esbranquiçado como cera, gosta de mato. Quer sempre me levar para uma cachoeira, no meio de alguma mata fechada, que leva dois dias de caminhada subindo, de preferência.
E por algum acaso alguém se queima em cachoeira? Já ouviu alguém falar, que vai pegar um sol, na cachoeira de sei lá onde, por uma semana? Geralmente o papo é: “Vamos acampar na cachoeira” ou “Vamos fazer uma caminhada até a cachoeira.” Ninguém vai pegar sol em cachoeira ou rio ou córrego ou sei lá mais o que.
Eu não. Eu gosto é de ficar “lagartando” na praia, tipo calango na pedra quente. Gosto de ver a pele mudando de cor.
Já repararam que as pessoas que moram no Rio de Janeiro são mais contentes? É a praia. Tenho certeza.
Está aberta a campanha: “Praia já!”
Beijocas.

O milagre diário

“Sonho que se sonha só

É só um sonho que se sonha só

Mas sonho que se sonha junto é

realida ... de”(Prelúdio- Raul Seixas)

Eu uma vez sonhei com um milagre.
Um dia eu já fui um milagre.
Uma noite eu farei um milagre.
Pode não ser hoje,
nem amanhã.
Pode até demorar.
Porém um dia,
vou realizar o sonho que sonhei,
que alguém um dia sonhou,
e aquele sonho que temos todos os dias.
Receber um milagre.
Quando falo de milagre, não falo só daqueles que são feitos somente por obra divina. Em cada momento podemos ver um milagre. Falei uma vez do milagre da vida, o nascimento. Porém há um pouco de milagre em todos nós. Com um pouco de amor ao próximo realizamos milagres. É aquela consulta ao médico certo, um remédio que não podemos comprar e alguém, talvez um desconhecido te ajuda sem mais nem menos, um abraço na hora certa ou uma palavra de conforto. Pequenas coisas que operam milagres.
Às vezes estamos tão descontentes com a vida, que nada como uma mão a nos acolher e ajudar naquele momento certo, para que ganhemos um novo gás.
Esses são os milagres que podemos fazer todos os dias. Estender a mão não tira pedaço nem machuca. Ajudar alguém sem pedir nada em troca, um ato altruísta pode fazer de você um ser melhor.
Dizem que o brasileiro é um dos povos mais solidários do mundo. Será? Acho que sim. Estamos um pouco perdidos, porém ainda acho que temos salvação.
Beijocas.

Nada a declarar

Estou em um daqueles dias... Queria continuar dormindo. Acordar hoje não foi uma boa idéia.
Aliás, tem sido uma semana difícil.
Por esses e outros tantos motivos, não me encontro em um bom momento para escrever sobre nada.
A
Minha
Vida
Anda
Uma
Confusão
Estou
Em fase
De
Reestruturação.
Quando
Melhorar
Eu
Aviso
Vou
Colocar
Tudo
Em
Ordem.
Beijos.

Venderam um pedaço da Lua

Parece loucura! Venderam um terreno na lua!
Venderam. Isso mesmo. Venderam. A pergunta que não quer calar... Quem é o dono da lua, para vender um pedaço dela? É sério ouvi no rádio. Fulano de tal deu de presente de casamento para fulana um terreno na lua. Latitude X longitude Y.
Espera um pouco. Quem deu meu pedaço de lua para essa fulana e não me consultou? Queria saber quem se autodenominou dono de uma coisa que foi criada por Deus, está a anos luz de distância e que eu saiba não tem dono. Os EUA já se acham donos só porque andam dizendo por aí que pisaram nela em 1969? Eu não acredito nisso, até porque, pensem comigo... Estamos em 2008 e desde então, apesar da tecnologia ter melhorado muito, nunca mais conseguiram fazer com que um homem chegasse perto. Sei que robôs já chegaram até em Marte, mas o homem... Se não chegam agora, em 69 é que não chegaram mesmo.
Porém ainda quero saber como é essa estória de darem, opa, venderem, meu pedaço para alguém. Será que esse maluco que pagou, não sabe que a lua não é de ninguém? O cretino pagou uma coisa que nunca vai ter. Maravilha.
Já tinha ouvido falar de um site onde a gente pode dar nome a uma estrela. Me disseram que também tem que pagar para isso, só que ela não vai ser minha. Estou pagando o trabalho do astrônomo que vai localizar a fofuxa, fazer mapas e informar ao resto do mundo o novo nome. Imagina ser dona de um a coisa que já está morta? Ah fala sério. Quero a parte que me cabe nessa venda da lua. Que coisa mais doida. Quero saber e é já. Quem é o maldito que se achou no direito de vender meu pedaço?
Já imagino o cartaz. Vende-se lindo terreno no lado claro, ao lado da bandeira, se é que ela existe, dos Estados Unidos com vista para a caverna do dragão. Seu vizinho será São Jorge. Chique bem...
Beijos revoltados.

Observar

Característica humana. Todo mundo tem uma que é mais acentuada.
Digamos assim... Uns são carecas, outros muito altos, outros mancam de uma perna, existem outros que tem um olho torto, enfim muitas características diferenciadas para cada um de nós.
Ainda bem, pois sobrevivo disso. Sobrevivo da observação pura. Observo sem crítica. Para mais tarde me utilizar, no meu trabalho, de tais informações.
Por exemplo: Leio uma personagem de uma peça não específica. Essa personagem tem peculiaridades que formarão suas características principais. Assim como sua personalidade. Tudo o que forma essa personagem terá que ser criada por mim.
Porém, o que ninguém sabe é de onde tiro tudo isso. Simples, muito simples. Da observação.
Em cada esquina, bar, fila de banco, ônibus ou até mesmo um parente, lá está a personagem que vou um dia fazer. Ela pode ser apenas uma ou várias pessoas em uma só.
O melhor é juntar cada informação que recebo dia-a-dia e depois ainda ser elogiada pelo meu esforço.
Criar é fácil. Ou ninguém nunca ouviu falar de que nada se cria tudo se copia? Um amigo meu ainda acrescenta o “e melhora”.
Eu faço tudo para melhorar essas características... Cuidado! Eu posso estar te observando agora mesmo.
Beijocas.

Filme Torrado?

Minha prima disse: Meu passado me condena...
Na minha época de adolescente se dizia “queimar o filme”, hoje eu não tenho a menor idéia o que se diz quando estamos com a imagem torrada, distorcida, alterada ou desviada.
É quando alguém está fora dos padrões e chama muita atenção para isso.
Porém, quem somos nós para julgar o coleguinha? Será que tudo o que fizemos durante a jornada foi perfeito? Em algum lugarzinho não fizemos algo que nos faça corar de vergonha?
O que costumo dizer é que passado é passado, já passou, ficou para trás. Não vale à pena carregar o passado com você. Já era, passou, amanhã ninguém vai lembrar mais desse assunto.
Para que ficar julgando os atos, muitas das vezes impensados, dos outros. Nós tomamos nossas próprias decisões. Livre arbítrio! Nós decidimos o que é bom naquele momento.
Naquele tempo que passou, eu agi da forma e da maneira que escolhi. Se foi certo ou errado isso só importa a mim mesma.
Quando se é adolescente fazemos coisas impensadas só para nos divertir. Tomamos atitudes desesperadas por causa de paixões arrebatadoras que duram nada mais que vinte minutos. Surtamos de tanto fervor por um desejo qualquer que conseguimos “queimar nosso filme” em poucas horas.
Mas o que é que tem? Ninguém vai me condenar por isso. Prima querida... Seu passado é brilhante.
Meu filme? Ah... Fala sério.
Carbonizado. Hehe.
Beijinhos.

Homem Mapa!

A síndrome do homem mapa!
Homem tem a mania de saber o caminho. Sempre que a mulher fala para ele pedir ajuda ou informação é como se estivesse ofendendo o pobre rapaz.
Estou de férias com meu amor. Ele é daqueles que não gosta de programar nada. Fala que vamos para tal lugar que é só fazer assim e assado que chegamos. Talvez com muita sorte isso aconteça em tempo recorde. Na última vez que pegamos a estrada pegamos os caminhos mais loucos e imprevisíveis que podíamos. Andamos de carro mais ou menos umas doze horas para chegar a um lugar que não era o que ele nem eu pensávamos, para depois irmos correndo para um outro lugar mais distante. Entenderam? É também achei tudo confuso. Há essa hora vocês podem imaginar que já com muita fome e cansaço eu só pensava em como iria cozinhar o fígado do meu queridinho. Talvez ao molho pardo com batatas fosse ótimo.
Eu lá estou aqui para aventuras? Eu agüentei o máximo que eu pude sem reclamar. Depois de dez horas sem saber onde eu iria colocar meu corpinho velho e cansado para descansar eu tinha o direito de ficar bem irritada. Mas não... Eu me comportei como uma dama. De cara feia, porém uma dama. Minha maior preocupação era a minha filha que mesmo depois desse tempo todo não deu um pio. Criança a gente vai dando mamadeira, biscoito, água e fica tudo bem. Dorme quase todo o tempo...
Enfim, a minha aventura não acabou. Estou em Cabo Frio acampando e sabe o que é melhor? Está chovendo a cântaros.
Não é mole não! Esperei o ano todo por isso, briguei com um monte e chove? Que praga. Gente invejosa.
Beijos.

Padecer no paraíso!

A dor de perder um filho deve ser algo irreparável. É a primeira vez que sou, mas já sinto na pele as dores de ser mãe e só tenho quatro meses e dois dias de maternidade.
Não é a pior coisa do mundo ser mãe, aliás, é a melhor, só que a gente sofre e muito. Sofre nove meses, depois sofre para amamentar, sofre para dormir e vai sofrendo por tudo. Quanto mais a criança cresce, mais a gente sofre. Sofre se ela tem dor ou tristeza, se perdeu o namorado, se o gatinho morreu, se adoece então nem se fala, aí é sofrimento a “dar com pau”. Porém, se está feliz e tudo está bem... Aí é só correr para o abraço e curtir cada momento.
Por enquanto nem consigo imaginar minha pequenina com qualquer problema, por que até a imaginação me dói.
Fico aqui refletindo sobre uma amiga minha que acabou de ter uma menininha e teve problemas no parto. A pequenina passou por maus bocados e graças a DEUS está se recuperando. Já passou pela sua cabeça a dor que essa mãe está sentindo e sentiu, no momento que o médico disse o péssimo estado da criança? Eu sofro daqui de longe sendo amiga, imagina só a família.
O que peço a Deus é que olhe por eles e pelos meus.
Não dá para uma mãe sofrer tanto. Assim não há coração que agüente. Mãe e avó têm que ser canonizadas.
Beijos, amiga.

Justiça seja feita.

Se desde sempre dependêssemos da justiça dos homens e tão somente dela estaríamos perdidos.
Em cada lugar do mundo, em cada país existem leis. Essas leis foram criadas pelo homem, baseadas principalmente no principal código de ética já criado: os Mandamentos e as Leis de Deus.
Devemos então, não só seguir os preceitos e credos religiosos como acreditar que os homens fizeram a coisa certa. OK até aí acho que dá para seguir.
O problema é o julgamento. Acredito que só o poder do cara lá de cima é capaz de saber se estamos certos ou errados. Fora os casos de flagrante. Como julgar alguém baseado em suposições? É fato que sempre existem as provas. Essas que devem ser arroladas ao processo pelo qual o réu está sendo julgado.
Falei lindo!
Mas quem somos nós, meros humanos, para julgar, processar, prender e em alguns casos mandar matar?
Somos aqueles que nosso Senhor ensinou como deveríamos viver. Um modo único de paz.
O problema é que tudo isso leva uma eternidade. Dizem que a justiça caminha a passos lentos e isso faz com que os homens não sigam as leis com maior freqüência.
A minha única preocupação é que como já sabemos, o ser humano, por ser quem é, é passível de erros, talvez irreparáveis.
Já a justiça divina... Essa tarda, mas não falha!
Beijos.

Deixa chover.

“... É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira...” “...São as águas de março fechando o verãoÉ a promessa de vida no teu coraçãoÉ uma cobra, é um pau, é João, é JoséÉ um espinho na mão, é um corte no pé...” Chuvas e trovoadas, raios e ventos. É o prenúncio do que vem por aí.Um calor quase insuportável, já anunciava que deveríamos nos preparar para um dilúvio.De repente o céu fechou suas portas.Ficou negro, a noite nem havia chegado e já não se via o sol.Pessoas corriam para suas casas, pegavam seus filhos no colo e desapareciam, com medo do pior.A chuva trás esperança de nova vida, mas pode levar muitas com ela.Quantos dias ela vai ficar nos torturando dessa vez? Um dia? Uma noite? Ou o suficiente para derrubar casas e fazer vítimas?Talvez ela só fique um pouco. Também o suficiente, mas para molhar a terra, trazer nova vida, encher os rios e refrescar um pouco.A chuva assusta, a chuva alegra, a chuva é gostosa, a chuva é fria, a chuva é de DEUS!Ela é bem vinda.Não deixe a chuva se tornar um mal. Ela é que nos fornece a água que bebemos, que tomamos banho e cozinhamos.A chuva é boa. Ela é ótima. Só os raios e trovões é que são, nessa ordem, perigosos e amedrontadores. Beijos.

Caguei...

Atenção todos aqueles que sofrem de algum mal do coração, tem enjôo com facilidade, vomitam ou se sentem constrangidos com assuntos escatológicos. Parem de ler esta coluna agora mesmo antes que seja tarde... Ô, pára... Deixa de ser curioso... Quanta besteira passou pela sua cabeça?
Vai parar ou não vai? Vou falar e nem quero saber se tem alguém lendo. Aliás, acho melhor pegar o jornal e ir para o banheiro. É mais seguro. Está achando que eu não tenho coragem? Estou falando super, hiper, mega, sério.
Quem não tem um nome engraçado para defecar? Que lindo... Até parece que sou educada assim... Hoje no curso de teatro ouvi coisas muito doidas.
Vejamos: Soltar um barro, fazer um boneco, pintar a louça, cortar o rabo do macaco, mandar o primo do interior para o rio (essa é mára), passar um fax, deixar o castor sair da toca, soltar o mergulhador, trato na louça, fazer um clone, submarino cubano, braço da Alcione e o normal, dar uma cagada. Isso se for normal, se for mais aguado os nomes podem mudar: fazer um pântano, areia movediça, ficar igual jibóia, brincar de planta... E por aí vai.
O mais doido é que isso tudo que falei é tudo muito normal, mas parece feio. E falar palavrão ou palavras de baixo calão é feio, mas é normal.
Vai entender essa gente. Tem vergonha de cagar, mas não de xingar.
Beijocas

DNA

Maldito DNA!
Odeio tamanha semelhança entre meu marido e meu sogro! Odeio! Odeio!
Não tenho nada contra meu sogro. Tadinho, não faz mal a ninguém. Aliás, ele é super gente boa. Sabe aquele cara boa praça (isso eu tirei lá dos anos setenta)? Para ele tudo está bom, resolve tudo na maior paz e tenta nunca perder a calma. O maior esforço que ele faz quando perde a calma é ficar mudo.
Seu único problema é seu DNA. Seus dois filhos são iguais a ele. A minha cunhada nem tanto claro, mas meu marido chega a dar um certo nervoso. Eles são IGUAISZINHOS.
Seus gostos para se vestirem... Iguais. A calma irritante... Iguais. O andar... Iguais. O cabelo, o rosto, o jeito de falar, manias, o arrastar de sandálias, enfim... Iguais.
O problema é que quando meu marido tira a barba eu quase vejo meu sogro e francamente, beijar meu sogro não dá. Os dois parecem irmãos. Eu não consigo beijar nem fazer mais nada sem imaginar a cara do meu sogro na minha frente. É exagero? Alguém por algum acaso gostaria de beijar a cópia do sogro?
Eu não. Só se meu sogro fosse o Sean Conery. Não é.
Então gostaria de deixar aqui o meu apelo ao meu amor... Volta! De onde você estiver. Volta! Sai desse corpo que ele não te pertence.
Maldito DNA!
Beijos.

Boa ou má ela existe...

POLÍTICA DA BOA VIZINHANÇA. Alguém conhece? Você já ouviu falar que vizinho é igual cunhado? Nunca aparece e se aparecer é para trazer problema? Nós temos que tratar nosso vizinho com cordialidade e educação, assim como se trata um parente, mas cunhado não é parente, então vizinho tem que ser tratado como qualquer pessoa. Educadamente, porém sem nenhuma emoção ou muita intimidade, porque vou contar um negócio sério... Quando vizinho quer ser “mala” ele consegue.
Eu acho que sou sociopata. Morei anos no mesmo prédio em Niterói e se eu conhecia dois vizinhos era muito. Todas as vezes que fiz algum tipo de amizade desse tipo nunca mais tive sossego.
Tem vizinho que gosta de fofoca. Esse é o mais perigoso, nunca se sabe a bomba que ele pode soltar. Sempre sabe onde você foi, com quem e quando volta, mesmo que essa informação não tenha saído da sua boca. Pede um pouquinho de açúcar, um pó de café, etc. Tem vizinho que dá bom dia, diz oi, porém trata os funcionários do prédio como escravos. Tem os normais que falam com todos. Esses nem fedem nem cheiram. Os vizinhos “malas” são aqueles que fazem barulho e não gostam de ser incomodados. Quando tem alguma obra para ser feita em conjunto ele finge que nem é com ele, porém se a obra tiver que ser feita na casa do fulano ele te perturba até... Aí você vai ajudar e ele só dá trabalho e nunca tem tempo para resolver, enfim um “mala”.
Mas graças a Deus tem os vizinhos que são uns santos. São educados e estão sempre dispostos a resolver qualquer problema sem discussão. Não ficam indo na sua casa pedir nada, nem querem saber se você vem ou vai. Esses são raros.
O que eu espero... é ser rara.
Beijos.

...NITERÓI...

Da janela eu conseguia ver o mar, o céu ainda azul, algumas montanhas e o Cristo Redentor, sempre imponente, com seus braços abertos sobre a Guanabara. Ao longe, a Pedra da Gávea, point de encontro dos águias, aventureiros do ar, os valentes atletas da asa-delta. Logo abaixo da minha janela, à apenas poucas quadras, eu podia ver o jogo do fogão no Caio Martins.
Dali do meu “apertamento”, pequenino mesmo, com dois quartos com vistas deslumbrantes, no alto do Edifício Ubatuba, no décimo sétimo andar eu conseguia sentir a brisa que vinha da praia de Icaraí que ficava distante algumas quadras. Às vezes o vento batia com vontade, fazia os sinos da minha mãe, tilintarem tão alto que mal conseguíamos ouvir nossos pensamentos.
De dentro do meu quarto, com aquela janela tão pequena eu olhava o morro na frente, diminuir suas matas e aumentar o número de casas. O som dos carros aumentava a cada dia, o barulho das máquinas que destruíam casa centenárias, sirenes, gritos, prédios cada vez mais altos, tudo o que podia acontecer para tirar de mim a bela vista e o sossego da minha querida Niterói aconteceu e ainda ocorre cada dia mais rápido.
Tudo velozmente. Ainda me resta a esperança. Já não moro mais em Niterói, tenho agora o céu azul de Carmo, suas belas montanhas, o sossego da Praça Getúlio Vargas, sua gente simpática, a tranqüilidade de uma cidade do interior, com toda sua graça e suas dificuldades. Nem tudo é perfeito, mas é primoroso para mim.
Ah minha velha Niterói. Agora sou carmense.
O Cristo que já não vejo da minha antiga janela, agora lá do céu abençoa terras tão bonitas e distantes. E rezo para que da minha janela ainda veja a poeira da estrada para Duas Barras, o cantar dos galos, o gorjeio dos pássaros e os gritos das maritacas, os latidos de todos os cachorros, os meus e os dos vizinhos, os sinos da Igreja Matriz.
Só não quero ver o progresso desordenado chegar até aqui e não quero mais ouvir soltarem fogos por bastante tempo. Adoro a paz e o silêncio.
Beijocas.

Era uma vez...

Era um lindo dia ensolarado na cidadezinha de Carmo no interior do estado. A mãe zelosa que levantara cedo para alimentar os pequenos animais, molhar as plantinhas de seu lindo jardim fez um carinho no rosto de sua linda princesinha para acordá-la.
A pequena com suas mãozinhas delicadas e seu rosto bem desenhado, espreguiçou e aos poucos abriu os pequenos olhos de cílios muito alongados para ver o lindo dia.
As duas tomaram um delicioso café-da-manhã juntas.
Enquanto a pequena brincava em sua torre a mãe preparou com todo amor o almoço e aguardou com ansiedade a volta de seu esposo. Os três almoçaram juntos, conversaram sobre assuntos variados, assim como uma família comum e feliz.
O pai retornou ao seu trabalho e a mãe passou o resto da tarde com sua princesa.
Já ao entardecer quando o sol já não está mais tão quente as duas foram para a praça da cidade para um final de tarde agradável, já que fazia muito calor naquele dia.
Sentaram em um dos bancos e brincaram.
Em certo momento uma mulher pediu para conversar com a mãe. Esta até então muito simpática convidou a moça para se juntar a elas. Então a bruxa começou a vender produtos de beleza e falou, falou, falou. Mesmo a mãe dizendo que não gostava de tais produtos a bruxa continuou a falar e não contente convidou uma amiga para interpelar a mãe.
A certa altura parei de bobeira e falei a verdade: ”Lindinhas. Sei que vocês estão trabalhando, mas vocês me falaram que queriam conversar e não me vender e para falar a verdade, eu não vou comprar nada e também não vou representar nada. Eu só quero passar uma tarde na praça com minha filha, só isso.”
Não sei o que deu nelas, mas foram embora rápido.
Sabe o que é? Às vezes nós não queremos comprar nada. Além do que elas disseram que era uma conversa, que já começou em uma mentira. Ai que saco! Nem na praça a gente tem paz?
Só espero não espetar meu dedo numa roca.
Um tempo depois o pai apareceu e a família foi para casa feliz.
Beijos.